LEITURAS

QUE VENHA A TEMPESTADE – Paul Bowles

QUE VENHA A TEMPESTADE – Paul Bowles – Tradução: José Rubens Siqueira – Editora Alfaguara

Paul Bowles nunca foi um gênio da literatura, mas escrevia bem, e também compunha magistralmente peças para piano, óperas, balés, e trilhas sonoras (dentre as quais, três peças de teatro para Orson Welles)… e um de seus romances foi adaptado para o cinema por Bernardo Bertolucci (“O Céu Que Nos Protege”), onde ele faz uma ponta…

O cara conheceu Erza Pound, Tristan Tzara e Gertrude Stein em Paris… aliás foi ela que o aconselhou a visitar Tânger, cidade pela qual se apaixonou, viveu até o fim da vida e onde ciceroneou Jack Kerouac e William Burroughs… Também fez traduções, entre estas, uma peça de Sartre que foi encenada por John Huston…

Como observa Bowles, o título do livro vem do terceiro ato de Macbeth onde Banquo olhando o céu comenta que vai chover, quando um de seus assassinos, antes de matá-lo, diz: “Que venha a tempestade”…

O romance se passa em Tânger no começo dos anos 50, quando o Marrocos era dividido entre a zona espanhola, a zona francesa e a zona internacional em torno de Tânger (uma espécie de estado da Guanabara, administrado pela Inglaterra, Espanha, Portugal, Suécia, etc.). O protagonista Nelson Dyar, um americano boçal chega em Tânger atraído pela promessa de emprego em uma agência de viagens de um conhecido seu… porém ao tomar contato com a sociedade local vai penetrando no submundo da cidade e então chega naquele ponto sem volta definido por Franz Kafka como: “A partir de um certo ponto já não há possibilidade alguma de retorno. Esse é o ponto que preciso alcançar”…

Como afirmei no iníco desta singela resenha, Bowles não é um gênio da literatura, mas seu romance mostra o olhar de um estrangeiro à paisagem exótica marroquina e à sociedade local dividida entre suas tradições islâmicas e o ocidentalismo pseudo-modernizante, bem como ao diálogo entre estes dois mundos… vale a pena ler, mas também vale mais a pena ainda, ouvir suas composições nos canais de streaming…

Uma última dica: pulem a “Introdução” e começem pelo “Livro Um – Zona Internacional”, pois o autor acaba contando o que virá… 

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