LEITURAS

OS ANÉIS DE SATURNO – W. G. Sebald – Tradução José Marcos Macedo – Companhia das Letras

OS ANÉIS DE SATURNO – W. G. Sebald – Tradução José Marcos Macedo – Companhia das Letras

Um escritor alemão viaja a pé pela costa oeste da Inglaterra: Suffolk, Lowestoft, Somerleyton, Southwold, Dunwich, Middleton, Woodbridge e Orford.
Nestas andanças ele colhe uma série de fatos históricos ocorridos nas mediações e relaciona com outra série de fatos, obras de arte, etc. para tecer cometários sobre a deterioração da civilização… discorre sobre a obra do médico e escritor inglês Thomas Browne, o quadro “A Lição de Anatomia” de Rembrandt, a pesca do arenque no início do século XX, o conto “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius” de Jorge Luis Borges (que se refere a Thomas Browne em seu final), a batalha naval de Sole Bay em que 75 navios holandeses se debateram contra uma esquadra anglo-francesa de 93 navios em Southwold, a história de São Sebaldo e da construção de seu túmulo em Nuremberg, a exploração belga no Congo e seu impacto tanto na obra de Joseph Conrad quanto no irlandês Roger Casement (que além de denunciar aqueles abusos na África, denunciou também os maus tratos a trabalhadores no Brasil, onde foi cônsul em Santos, Belém do Pará e Rio de Janeiro), a rebelião de Taiping em 1850, quando um movimento messiânico de inspiração crista-confunciana foi esmagado pelas tropas do exército imperial chines com apoio de tropas britânicas, a cidade portuária de Dunwich destruída pela força da natureza, as vidas do poeta Swinburne, de Edward FitzGerald (que traduziu o poema “Rubaiyat” de Omar Khayyam) e do Visconde de Chateaubriand, a história da sericultura, entre outras coisas.

Talvez a melhor definição desta obra seja a relatada por um personagem do livro “Triologia da Guerra” de Agustín Fernández Mallo :

“Pois bem, o correto é que eu sempre havia pensado que esse livro de Sebald é um fractal em si mesmo, quer dizer, que o escritor faz é, precisamente, percorrer a mesma costa que Mandelbrot já havia tipificado antes como o primeiro fractal, mas ainda, e aí está a importância do livro de Sebald, ele nos narra tudo fractalmente, repito, nos narra tudo fractalmente, seu estilo, a forma de apresentar os feitos e contar a História é em Sebald também um fractal, porque não procede como o típico caminhante historiador que narra batalhinhas lineares, nem como o típico escritor que separa detalhes pontuais e meras recordações mais ou menos sentimentais, mas trata a História e sua caminhada fractalmente, envolve-a toda fractalmente…” (*)

(*) A tradução é minha.

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